A beleza das mineiras me angústia. A frase é forte, mas o sentimento é real. Angústia? Sim, angústia, respondo de cabeça baixa. Logo que cheguei, nos primeiros dias de viagem pra Minas, tal beleza me enchia de ingênuo entusiasmo, pois pensava tolamente. Calma, um dia você vai ver, conhecerá todas elas.
Não conheci toda, é obvio; elas, no entanto, á minha revelia, continua belas, e multiplicam-se com assustadora velocidade. Salvo em meu quarto, elas aparecem em todo lugar. Fico espantado ao sabe que Minas sempre foi assim.. A informação segura vem de Paulo Mendes Campos um sujeitinho da década de 40 que sempre dizia: “No meu tempo de menino, em Minas, havia de moças bonitas duas dúzias e mais três. Três que a gente não tinha muita certeza de escalar no time de cima”. Huhahuahauuah, era foda mesmo, e pelo visto sempre vai ser. Dizem que o numero era estimativo, mas na verdade era concreta. Como é que pode? Como as coisas quase não mudaram, Wender?
Sento, numa mesa para almoçar. O lugar é belo, acolhedor, alegre. É um lugar mineiro, com coisas mineiras. Mesas de madeira, aquele doce ar rustico de fazenda: cachaças, cigarros de palha, linguiça, coisas da roça. O sol, num frio, faz bem. A brisa esfria, com suavidade; o sol gentilmente esquenta. São irmão com temperamentos diferentes, mas complementares.
O mundo é simples numa manha de domingo. O dia é claro, alegre. Estou feliz. Minha felicidade, no entanto, é vagabunda e volúvel. O lugar logo fica repleto de gente. Digo gente e digo mal, porque, se fosse pra ser exato, diria que ficou repleto de mulheres feitas pelo bom humor divino. Em Minas a natureza é prodiga. Bem que podia ser prodiga apenas em rios e montanhas. Mas não. Foi exagerar nas mulheres bonitas e educadas, para o mal do nosso coração ...
Sofro, mas sofro com dignidade. Admiro-as, com poesia e á distancia, sabendo que outros são os caminhos delas, e outros o meu. Aprendi que a beleza física não pertence a elas, nem ao seu respectivo par. Este terá, digamos, uma visão mais privilegiada da coisa. Não sei que poeta lembrou que uma poesia não é de quem a escreveu, mas de quem precisa dela. E, mal comparando, assim também são as belas do mundo. A beleza – protesto porque é o jeito ( =/ ) – não é delas, mas do mundo. Isso no fundo é conversa de sem terra sentimental, querendo socializar o território alheio, hauhauhaahua.
O diabo é que sinto, de fato, isto: que elas perdem em não me conhecer. Ah, que coisa essa de nascer com tanta ilusão na cabeça. O duro é que a auto-imagem, que no caso dos Wender (s) da vida, deveria se chamar alto-imagem, nem sempre corresponde com a realidade empírica dos fatos tristemente reais. =/
Mineiras, por que são tão belas e tão meigas e tão simples e tão perfeitas ... ? qual o sentido de tanta beleza? Em que pensou Deus, ao caprichar tanto? Até nesse jeitinho manso de falar.. terá sido pra inspirar os poetas? Será essa a razão oculta de tantos poetas em Minas? Serão no fundo frustrados que penetram nos mistérios da alma por não poder penetrar em noutros mistérios femininos mineiros? Huahau. Não, fico por aqui. Positivamente, a beleza não me faz bem...
Adios
- Wender Kenny, * expirado no mais simples escritor do mundo, Felipe Peixoto.

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