terça-feira, 19 de abril de 2011

Ando Com Saudade da Lua


Ah lua, tão longe de mim, onde você anda? Eu sou do jeito que você sabe, e ainda mais triste sem a sua luz gentil. Apareça, dê noticias. Faça sua, essa minha vidinha tola, estrelada de esperanças ingênuas. A noite fica um pouco perdida sem você, e eu também fico. Na verdade me perco de qualquer jeito, com ou sem você por perto, mas pelo menos, quando lhe vejo, tenho alguém a quem dirigir minhas suaves reclamações indecentes. Que nem são tantas assim. Que posso querer que já não tenho? Pouca coisa. Não que tenha muito; é que tenho mais que mereço. Isso eu sei, mas as vezes eu esqueço. Vivo esquecendo as coisas boas que me acontecessem (tanta, Deus tantas) e insisto em lembrar bobagens sem nenhuma importância, mas que me atormentam o coração.

Mas estou ficando esperto aos poucos, e agora invez de tentar escrever criancices intimo os poetas para falar por mim, já que dirão o que eu diria, naturalmente melhor que eu. Senhor Manuel de barros queria, por gentileza, adentrar o recinto. Pronto pode falar: “tem mais presença em mim o que me falta”. Muito obrigado, Manoel, pode se retirar. Viram como é fácil? “ tem mais presença em mim o que me falta”. Preciso dizer mais alguma coisa? É essa mesmo aminha vulgar vidinha, atormentada por certas ausências, e tolas ausências.

Você também é assim lua? De longe não parece. A opinião geral, aqui na terra, é que você é serena e passa tranquilidade. As vezes estamos assim por fora, mas só por fora – queimando por dentro. Essas aflições caladas são as piores. Alias, o próprio universo, aonde você mora é assim. Pelo ao menos é o que dizem os físicos: plácido e calmo, de longe; turbulento e caótico, de perto. Estou aqui, lua, estou aqui... se quiser desabafar a confusão do céus, estou aqui. Porque somos nós da terra, uns grosseiros e insensíveis. Vivemos exigindo que você nos ouça as magoas; nunca perguntamos as suas.

Você é uma das imagens que mais me acalma, sabia? Essa de uma noite, infinitamente brilhante, com o mar se deixando beijar por sua luz gentil. É um pensamento que me faz bem. Também me faz bem pensar que a felicidade me espera, não sei quando nem onde. Talvez num amanha distante. Sem essa certeza débil, viver é áspero, nada bom. É preciso acalmar o presente com ilusões, achando que o futuro é azul e ele vai ter que chegar. Acho que nem todas as pessoas acreditam nisso mas finge que sim. Alias algumas finge tão bem que as vezes me engana.

Sim, Fitzgerald, suave é a noite, e ridículo meu coração. Esse musculo insensato bem que podia receber umas aulas de astúcia ou aprender severidade. Essas coisas ele (ainda) não sabe. O que ele sabe como ninguém é se perder, sem prudência ou malicia em noites de lua cheia. Eu vou resgata-lo, em reinos distantes e continentes perdidos, e ele nem sempre quer voltar. 

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