Please Forgive
Bertram, uma historia! Precisamos de um conto hoje, para matar o tédio dessa noite, e voar sobre as montanhas na alvorada. - Disse um rapaz rodeado de amigos insignificantes, apaixonados por uma mulher, que nada queria com eles por serem delinquentes.
Os rapazes o viam como uma referencia de liderança a ser seguido. Bertram, o príncipe dos libertinos. De cabelo ruivo, uma tez branca, criatura fleumática que enchia de sonhos as pobres criaturas bêbadas e jovens das tavernas e dos prostibulo franceses. Fazendo-se devassar pálido as longas noites de insônia nas mesas de jogo, e na doidice dos abraços convulsos de damas da noite, o tempo do deus Cronos já não era mais seu amigo de outrora, e os anos o castigava, perpetrando-o a remoer-se as grandes fases de seus anos bem vividos a cada noite em longos e dolorosos contos dos subúrbios da cidade boemia que dormia sonolenta ao som de velhas cantigas shakespeariana.
- Tudo bem, contarei um origino de importância maior em meu passado, verídico! - Respondeu Bertram - Aconteceu comigo, mas essa historia vão fazer vocês caírem dos seus vôos, cairão em desgraças, malditos! O túmulo! O túmulo é o lugar dessas preleções narradas ao anoitecer, querem mesmo despertar os fantasmas essa noite? Se não, não sei se devo continuar, é tão medonha que tenho medo até de contá-la, serão os primeiros a ouvir, mas o preço será alto... Uma garrafa de “Rum!” – Respondeu o ruivo Bertram aos jovens amantes.
- Que comece! Hoje eu vou pagar todas as garrafas de Rum a vossa pessoa Sir. Bertram - Gritou um jovem extasiado.
- Que assim seja - Bertram encheu seu copo de “Rum” e bebeu num único gole, e começou assim.
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Londres, esta foi a cidade escolhida a vivenciar-me a noite mais tenebrosa e sombria de uma pavor cruciante. O crepúsculo Londrino, sempre cinza, denso e nublado, poderia ser um mal pressagio, mas o mal da aquisição deixou seu legado para a posterioridade e tudo aquilo já era normal; sair andando por aquele ermo e quando dei conta me já era noite. O ocaso havia ficado mais gélido, pelos arrabaldes da cidade, encontrei uma taverna. Entrei e no ardor da embriaguez falei com um moço que estava ao meu lado, sempre calado a pensar, ao vê-lo meditar, pensei que deveras era moço de inteligência aguda, um filósofo ou talvez poeta.
Foi a primeira e única vez que nos encontramos, lembro-me ainda de seu semblante, ele deveria ter uns 20 anos, seus cabelos eram preto como breu, sua feição era de traços leves bem concisos, embora melancólica, disse-me de princípios que era Inglês, embora tivesse sido criado na Itália. O sotaque de um italiano elegante era lhe bastante peculiar, porem suas roupas eram velhas, desgastadas pelo tempo. Seu nome era Kenny Mitchell. De principio digo-te que era um homem que se dizia amante do amor, embora não soubesse o que tinha vivido, a sina do garoto havia-o deixado completamente perdido nas ruas sombrias e ermas das madrugadas, andando de taverna em taverna, experimentando os beijos das vendidas, numa ausência de consolo em seu ser sem fim.
O vinho acabou-se nos copos, Bertram, - disse-me Kenny - mas o fumo ondula ainda nos cachimbos! Após os vapores do vinho os vapores da fumaça! Senhor. Em nome de todas as nossas reminiscências, de todos os nossos sonhos que mentiram, de todas as nossas esperanças que desbotaram, uma ultima saúde! – bebemos por um bom tempo até ficarmos completamente ébrio, então começamos a relatar nossos míseros passados. Somente homens ébrios e viajantes desconhecidos, são amigos suficientes para coisas tão intimas como ouvir a narração do passado de nossas vidas!
Contei a ele algumas de minhas aventuras da sinuosa vida de boêmio de noites enluaradas, ele ouviu! Mudo como um defunto que cai no albor da morte. Em seguida começou a murmura o seu inconsequente destino...
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Uma historia dentro de uma historia Bertram? Se apresse que nos não ditamos nossos rumos na noite, a noite, sempre ela! Dita nossos rumos! – Bertram apenas olhou o jovem que o ouvia e nada disse, apenas continuou.
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...Sua minuta era sobre um amor não correspondido, também pode ser dito como uma paixão que não pode efetivar-se entre dois amantes em sua plenitude ou um tentame de abdicar-se da vida, de não ser domado pelo tedio ou talvez uma tentativa errônea de amar alguém; De forma que um deles é levado à loucura, talvez por já ser insano, talvez não; eis a breve historia do garoto e uma dama por nome Judith, na verdade não me lembro ao certo, o nome é apenas um nome, combinações de consoantes e vogais poderia ser qualquer outro.
Escutai com atenção meus caros, o libertino não ama pela carne. O libertino quando tem suas noites de insônia por uma mulher, ela há de ser pura ou santa. O que importava para aquele garoto era a beleza de alma daquela dama, amou-a pois aquele anjo, voltou o rosto para o passado ao conhece-lo e apenas pra ele. Despiu-se da pureza como de um manto impuro, retemperou-se no fogo da devassidão, apurou-se na virgindade, porque era bela como tal, e refletia essa luz virgem de espirito, nesse brilho d’alma divina que alumia as formas – que não são da terra, mas do céu. Quanta ironia na discrição de dois amantes apaixonados, amantes venais, insônias cheias de febre, onde se tenta apaga todo o gosto da existência, como o homem que perdeu uma fortuna inteira no jogo e tenta esquecer a realidade.
O corpo dela era alvo, tinha o cabelo castanho e liso. E nada mais! Ele não quis dá mais detalhes sobre a ditosa dama que o levou a loucura, talvez por receio ou mesmo ciúmes. Tudo o que me lembro de sua preleção foi algumas das muitas palavras que saíram de sua boca aquela noite, algo assim...
“Eu já amei uma mulher Bertram, só uma mulher! A única que amei! Já me perdi com muitas outras mulheres, apenas paixão! Mais amor foi a única...
Todos os dias eu a via, freqüentávamos o mesmo educandário católico na Itália, uma catedral de padres que em vãos tentativas tentava reeducar os impuros da minha época.
Eu estava entre aqueles, aos 17 anos fui encontrado na frente de um prostibulo, ébrio de corpo e a alma lasciva de ódio, encontrava-se eu sujo e doente das demências e misérias do mundo. Um eclesiástico estendeu-me a mão, recitou alguns versos de um tal samaritano, falava de judeus e uma terra de nome que não me lembro ao certo. De principio aceitei não pela fé, mas pela demência de não ter outra escolha diante da morte que estava a frente do meu futuro. A vida; sem nuvens, sem estrelas... lembro me apenas que o padre me levava a algum lugar, que escuridão! Ouvia -se apenas de espaço a espaço um baque como o de um peso que cai no mar a afunda-se... Às vezes vinha uma luz, como uma estrela ardente, cair e apagava-me naquela lagoa negra. Acordei-me na catedral. Achei que o pároco era a luz, depois de um tempo disse-me que apenas guiava a luz, a luz divina do único Deus. Adormeci novamente.
Acordei no educandário, e a vi, entre confrades despojados e rudes, e ela meiga e carinhosa a conversar e murmura besteiras aos olhos dos garotos do outro lado do pátio. Era um colégio de vendidas que ia ser educadas novamente com a caridade de um homem que morreu humilhado na cruz. Quem era ela? O que fazia num lugar daquele? E ela era a única virgem! Ela fazia serviços voluntários na paróquia em troca de abrigo e comida, mas não queria ser freira, pois ainda sonhava em se casar. Ela era tão perfeita que todos tinham medo dela, era bonita demais para se casar com qualquer um. Era também muito inocente! O que é a perfeição meu amigo? Além de uma proeminência? Ela era apenas a mulher que eu queria amar pelo resto da minha vida, nunca mais eu estaria perdido novamente.
O educandário jazia lotado desde o principio, e a cada dia chegava mais infortunados, mendigos, prostitutas, ébrios, viúvas, órfãos e todo o tipo de desditosos do submundo europeu. O recinto ficava cheio todo o tempo, os eclesiásticos havia perdido controle das divisão das pessoas há muito tempo. As penas excludentes era qualquer crime contra os preceitos do apostolado, os membros acudidos pela igreja poderia ser banido, chicoteado e nos casos mais graves abandonados em florestas negras, não solitárias, a sentença era servir-se de comida para lobos famintos. Pena de Morte.
Eu a amava, e igualmente tinha medo! Muito medo de amá-la, a perdição me chamava a cada dia, a cada dia ao seu lado era uma tortura e um prazer de cognome que eu não ouso citar. A morte o amor, o desprezo por tudo o que tinha me dado a vida novamente, a vontade de ficar e de fugir. Mas, como eu, um ser com tanto defeitos pode fazer uma mulher perfeita ser feliz? Sendo que nem eu mesmo era feliz? Mas, minhas noites eram pulcras, a aurora mais bela ainda. Os rouxinóis entoavam belas canções para um amante. E eu sonhava com seu nome - Judith! Cavalheiro, eu sonhava com ela.
Amei-a, meu amor era puro no principio, era uma emoção solitária entre eu e ela como em meus sonhos de 16 anos, devaneios vindos de uma época perfumosa nas primaveras cheias de brisas e de flores que me embalavam aos céus da Itália na minha infância. E por fim o anseio não era mais sonho, os devaneios se tornaram real, o meu sonho era o seu... e o nosso amor... a minha vida por ela, a vida dela por mim: nós dois formando um único ser, uma única alma, um mundo de deleites e de mistério só para nós e por nós! A madrugada como testemunha e o holocausto como carrasco a nossa espera, na primeira empreita de uma aresta erma, habitado apenas pela invídia e seus comparsas.
O brio e o lustre, a tez pálida de uma virgem se ia com os ventos uivantes que viam congelando os ossos dos boêmios do sul ao norte pela madrugada. O fogo dos meus 17 anos, a primavera virginal de uma beleza ainda inocente, o peito a palpitar seminu sobre o meu: isso tudo ao despertar dos sonhos alvos da madrugada me enlouqueceu. Não se podia atrever-se de astúcia culminante a articular o vocábulo “casta” dirigido aquela moça sem lacrimejar meus olhos da dor irreversível de cometer o assassinato da pureza daquela dama.
Judith. Era minha na realidade e de outrem no papel, a ingenuidade nunca me deixou perceber, e nem ela nunca me disse por medo de sofrer repressão; era a destinada de um dos nobres que envolvia-se entre os financiadores e apoiadores do educandário. Vim descobrir no dia em que decidi escreve para ela, era quase hora do intervalo no educandário, e as freiras ininterruptamente me mandava sair mais cedo, para as confissões com o Padre sobre meus pecados do meu passado longínquo, que na verdade, em minha tolas ausência já se fazia recente.
Andei até ela, e deixei em cima de sua mesa um bilhete, com a seguinte nota. “Posso tentar lhe dizer tudo, as verdade do amor prescrita entre trovadores e poeta revolucionários, mas isso que eles os dizem ninguém os entende intimamente, por exceção quem os escreveu; os poetas assassinaram o amor, e tudo o que se encontra em versos é inanido e oco como a caveira de um cadáver que morre na desonra. E como os miasmas infectos da terra são essa fade nevoenta que se chama poesia... Mas o nosso amor, que se encontra em nosso peito a palpitar é verdadeiro entre nós, e apenas. Não é preciso dizer muito, já que nada que seja dito seria o suficiente; por fim, a discussão da poesia nos faria boceja de tedio .Duas palavras para mim, basta para você meu amor: Case-se comingo!” Os minuto com Judith, o simples pensar nela era a eternidade, pensava eu que nosso casamento seria a ostentação da imortalidade.
Na outra preleção, quando voltamos do intervalo, ela exigiu que uma companheira dela me entregasse o subsequente bilhete “Meu amor, um homem há algum tempo atrás comprou uma chave, em uma hora venal de desgosto, a chave era uma jovem. Aquele homem, naquela noite jurava que naquele ocaso gozaria aquela mulher; houve um julgamento posterior: e embora fosse veneno, tal homem pensava que beberia o mel daquela peçonha insidiosa em forma de flor, o parecer lhe foi favorável à moça casaria com o moço em três semanas. – no bilhete percebia-se a aparição de alguns pingos de lacrimas, e continuava assim - Digo com veemência, e peço te perdão, essa moça sou eu, e estou noiva e nada posso fazer, nem mesmo deixar de amar-te, nem mesmo anula este casamento, com decorrência de pena de morte.”
Foi como uma facada que corta a carne de um homem enfermo, preferia ouvir minha sentença de morte a aquelas palavras. Apesar de ela esta próxima de mim, preferir escrever outro bilhete pra ela, as palavras não queria sair. “O que eu faço pra você fugir comigo?” ela olhou para mim com uma fisionomia triste – ela me amava - escreveu novamente outro bilhete. “Encontraremos-nos de novo, no céu ou no inferno”. Foi o estopim, inferno algum seria mais cruel que o sofrimento de viver longe daquela mulher; Levantei-me com lagrimas quente nos olhos que me queimava, fui até ela e me ajoelhei chorando. Não importava-me mais para a discrição de não sermos pegos e condenados aos crimes de ordem no educandário
“Mais eu te amo” – Confessei aos berros.
Ela apenas virou-se pro outro lado e disse “Sinto muito meu amor, porque não me disse antes?” e saiu chorando.
Eu continue gritando, desesperado e implorando-a para volta - “Maldita eu te amo, te amo!!!” – continuei ajoelhado, chorando, gritando como um louco na ânsia da morte, mas ela não voltou.
Como fui infeliz nas minhas noites daquela semana. Minhas vigílias era um tédio angustiante horrível. Nada substituiria o amor daquela mulher. O melhor da vida não é viver é sonhar, a realidade é sempre cruel com os devaneadores idealistas! Hipocrisia! Hipocrisia! Eu que passava as noites nas tabernas bebendo sobre os beijos das vendidas, como são frios os beijos das mulheres taverneiras! Como pode essas malditas vender o amor? São loucas!
Achava que a esqueceriam nos braços de outras mulheres, na verdade a única motivação era que cada vez mais eu a queria! Queria sempre mais estar do lado dela. Tudo que conseguia era perceber como o amor dela era puro e daquela vadias falso! Observe quanta insanidade, enquanto eu chorava, o noivo se alegrava com Judith.
Tudo que eu tinha era nada. Nada além de loucura e amor por uma mulher. A minha vida eu entreguei aos vinhos e as prostitutas, mas dessa vez não voltei ao educandário pra me converter. Nunca mais fui me confessa na paróquia central, dia e noite eu pensava na morte como o remédio para a cura da solidão. Sem ela, mil pessoas delibando ao meu redor seria como o pó sobre a mesa, sem importância e ainda sozinho.
Antes eu a perguntava se ela iria me salva. Ela sempre respondia que sim. Uma santa mentirosa!
Após alguns dias ela se casou. Deixou de servir no educandário e foi morar de frente para uma praça numa casa de dois andares. Eu sempre passava em frente de sua casa e ficava sentado na praça, em um canto isolado daquele horto, ficavam os maltrapilhos e os vagabundos, mas eu não ficava com eles - Ficava só!
Sem ela era como se o mundo tivesse enchido de cadáveres e eu o único ser vivo, posto como se no mundo existisse apenas eu e a princesa da aurora do meu mundo. O restante, mortos vivos! O amor havia fugindo do mundo, refugiou-se por um tempo em nossos corações e depois fugiu de novo.
Diga-me Bertram o que pode mudar o mundo de um homem mais que o amor de uma mulher? Só o amor de uma deusa! E era isso que eu amava, uma Deusa!
Eu tava começando a ficar pálido, as pessoas me diziam que minha face era como um pano de linho puro manchado pelos sacrilégios dos infiéis; a beleza existia por fora, no entanto só de contempla-me era presumível ressaltar a calamidade em que eu deparava por dentro. Aos 15 anos fui um sonhador, aos 17 me tornei ébrio, agora sou um louco desgraçado e ébrio. ‘Traga mais vinho taverneira maldita, não vês que um homem sem a mulher amada necessita de beber? Se não, venha você mesmo trucidar a sede dos meus lábios!’
Mas minha vida se alternava, o amanha de alegria vinha a tona, quando lembrava-me o que havia advindo quando amávamos, a noite de tristeza se ausentava, mas ela retornava, mais forte e intensa como uma rês indomável. Levantava, embuçava-me na capa e saia pelas ruas. Queria dissipar-se, mas estava tonto como um embriagado. Titubeava e o chão me deixava aturdido, como um corvo a beira do desmaio acertando por uma pedra. Uma ideia contudo me perseguia. Suicídio! Depois daquela mulher nada houvera mais para mim. Quem uma vez bebeu o suco das uvas purpurinas do paraíso, mais nunca deve inebriar-se do néctar da terra... Quando o mel se esgota, o que restava a não ser o suicídio?
O tempo passou, mas o medo de morrer e perde-la pra sempre não me deixou instigar a fazer o que eu pretendia tanto. Dormia as noites como um mendigo no horto, apenas para uma única vez vê-la passa sobre a janela.
Em um dia eu vi o nefasto do marido chegar com um embrulho nas mãos, subiu as escadas rapidamente, em passos apressados, bateu a porta, titubeou e soltou o maior entre os escárnios - Judith, messalina abra a porta! – Aquelas frases traçariam meu destino. Faltei a acreditar no que acabara de ouvir, poderia ser um devaneio, ou alguma vertigem em minha mente ébria. – Messalina? Como esse sujeito ousa? Era uma noite fleuma, com um vento suave que balançava as gramas como uma dança frenética, as flores... As flores lançavam um perfume de morte nunca vou esquecer!
O noivo subiu. Tudo ficou quieto e der repente, às duas horas da manha um som ecoou pela praça, um grito de escarnio com misto de aflição e dor, até hoje aquele som me faz tremer a espinha apenas por lembrar. Era um grito pelo anelo da vida. No desespero da minha alma, subir as escadas da casa correndo – Eu conhecia aquele grito. Quando à vir ela estava mais pálida que a Lua!
O noivo havia matado a noiva... Judith estava morta!
- Mas por quê? Não é um conto tudo isso? Perguntei ao jovem Kenny Mitchell enquanto ele me contava essa historia.
O vinho já o tragava-o, a resposta foi a mais incoerente possível.
- Não! Pela perdição que não! Pelo amor que eu sentia por ela que não! – eu vos juro, uma mulher levou-me a libertinagem. Foi ela que me queimou a fronte nas orgias, por qual outro motivo estaria aqui?
Ele parou por um momento, Encheu um copo de vinho e disse – Ao deus Baco!
E continuou com sua narração.
“Fiquei ali apreciando aquele cadáver, foi o cadáver mais belo que eu já havia chorado.
O noivo já ia longe.
Pequei a nos braços, cobrir seu corpo com meu bolero e bejei-a na face - Não na boca, seus lábios haveria de ser em um ultimo momento só meu, o Deus do vinho percorria minha boca, com insaciada vontade de beija-la, não permitir tal astucia do mefistofélico deus Baco - Eu iria vingar a morte daquele anjo, Judith estava pálida, a lua foi sumindo entre as nuvens quando sair com o corpo daquela imponente mulher.
Porque diabos ele a mataria? Não havia hematomas, nem mesmo um corte ou arranhão em seu corpo, tudo indicava que ela havia sido envenenada, mas porque ela gritou? Por quê? Seria o medo da morte? Levei-a para o mar, e deixei as ondas levarem seu corpo ao deleite do oceano, passei três dias chorando a morte da defunta, depois eu ria-me porque sentia fome, nada mais importava ao não ser o suicídio.
Deixei as ondas me levarem numa tentativa de me afogar, mas não morri.
Ainda não sei o motivo pelo qual o noivo matou-a, estou aqui Bertram, continuo sendo um libertino, preso aos vinhos e nas orgias das vendidas, tragado pelas ruas negras das madrugadas! Sou um vagabundo sem pátria, já estive com Italianas, os braços das espanholas já me acolheram, mas até hoje eu ainda não achei o desgraçado, pode ser você Bertram, mas como vou saber? Mesmo que eu o veja eu o não reconheceria minha memória esta um traste! Não lembro o nome do mísero burguês, não me lembro mais o lugar daquela casa, tudo o que me lembro é uma data, e o nome da princesa das auroras! Judith! Mas eu tenho certeza que um dia eu ainda ei de vingá-la, acho que foi por isso que não morri, já se passaram muito tempo, nem sei quanto, a data que esta em minha lembrança é apenas o ano, 1714.
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Foi isso o que ele disse? – Falou um jovem que acompanhava a historia que Bertram contava – Sir. Bertram, estamos em 1876, como vossa senhoria pode ter tido uma conversa com esse moço, mesmo supondo que se conheceram por volta de 1720, sendo que o senhor nasceu em meados de 1833?
- Sim, cento e sessenta e dois anos se passaram até o ocorrido dessa noite aqui relatado. Até hoje aquela ultima palavra! Aquela data! me fez gelar o sangue mais que as noites frias de Paris, mais que o inverno da Dinamarca! Só fui da conta que eu estava conversando com um fantasma quando aquela data foi pronunciada. – Bertram olhava o pavor nos rostos de todos aqueles jovens, moços de outrora acostumado com as mais imprevisões que a vida ofereceu a todos aqueles aventureiros, pegou seu ultimo copo e jogou o no chão, os cacos se espalharam, a atenção de todos os olhos dos taverneiros ali presente voltara-se para ele – Passei a noite conversando com um fantasma, como amigos! Bebi em Londres com uma alma do além-túmulo, um espectro! Digo isso, não para denotar um ato de coragem. A coragem do homem não é medida frente a guerra previsível onde se sabe quando mata e quando morre; a coragem do homem é medida frente ao desconhecido. E eu tendo estado de frente ao desconhecido, titubeei e como um covarde empalideci, as pernas estremeceram, a fala não solto o menor acorde sonoro. Um ruído sequer! O ar sufocava-me apenas por olhar para aquele ser; um peso que me arrastava, como naqueles pesadelos em que se cai de uma torre e se fica preso ainda pela mão, mas a mão cansa, fraqueja, sua, esfria, e todos os esforços de nada serve diante da morte. Foi horrível.
Quando disse-me aquelas ultimas palavras, levantou da mesa e saiu. Eu nada fiz! Não conseguia, estava paralisado, O fantasma do jovem Kenny Mitchell foi até a porta, abriu-a normalmente não olhou pra traz e saiu, desaparecendo na neblina que cobria Londres em mais uma noite.
E Isso é tudo
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Um dos jovens, receoso, fez um ultimo comentário, A cidade dormia, as luzes da taverna se apagaram - Não é só mais um conto tudo isso Bertram?

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